O Economista 2017

Em 1987 – ano em que foi concebido O Economista-Anuário da Economia Portuguesa, no âmbito do Projecto Cadernos de Economia – a então “jovem democracia portuguesa” tinha 13 anos e alguma instabilidade, Mário Soares e Cavaco Silva eram Presidente da República e Primeiro-Ministro, o País vivia os primeiros tempos da integração europeia.

Os efeitos da segunda intervenção do FMI faziam-se sentir. Pressionado pela CEE, Portugal aceitava uma polémica revolução nos sectores da agricultura, da pecuária e das pescas, em troca de aliciantes fundos europeus.

Enquanto a Europa acelerava (o “Acto Único” entrou em vigor em Julho), Portugal debatia-se com problemas complexos, mormente de falta de competitividade da sua economia. Nas Finanças, sobressaía o carismático ministro Miguel Cadilhe. E, como hoje, há 30 anos falava-se muito de “reformas estruturais”…

Ora, é neste contexto, precisamente quando acontece o crash bolsista de Outubro de 1987, que ganha forma o Projecto Cadernos de Economia, integrando o anuário O Economista.

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Economistas em Congresso

A nova globalização, o proteccionismo e o futuro da Europa vão a debate no 7.º Congresso Nacional dos Economistas Portugueses (Lisboa, Gulbenkian, 12 e 13 de Outubro).

Temas fundamentais nestes tempos de anunciada turbulência, na Europa e no resto do mundo, aqui os tratamos, em conexão com os trabalhos do Congresso, através de reputadas personalidades – economistas e analistas de outras áreas, como são os casos de Jaime Nogueira Pinto, Vital Moreira e José Tribolet.

Os desafios que ora se colocam à União Europeia são analisados pelos primeiros e, também, por economistas/especialistas como Joaquim Aguiar, Paulo de Almeida Sande, António Covas e Dieter Dellinger.

Por sua vez, Glória Rebelo centra-se no “crescimento inclusivo e boa governação”, enquanto Pedro Braz Teixeira se mostra apreensivo com “a falta de consciência do nosso problema económico”.

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Ficção ontem

Quando assistimos ao desenvolvimento dos carros autónomos, dos robôs-cirurgiões, dos drones que substituem os estafetas na distribuição; quando sabemos que escritórios de advogados, bancos, órgãos de comunicação social substituem o trabalho de centenas de milhares de quadros por robôs ou, mesmo, por simples “aplicações”, o cliché torna-se inevitável: a realidade ultrapassou a ficção.

Dentro de oito anos – garante um estudo da McKinsey – as tecnologias de automação podem substituir 110 a 140 milhões de pessoas em todo o mundo. Um número que inclui pessoas com tarefas cada vez mais criativas e intelectuais, coisa não despicienda…

E se tivermos em conta que um estudo da Universidade de Oxford, citado nesta edição, estima que quando a actual geração de bebés chegar à idade adulta, quase metade dos empregos actuais terão sido tomados por máquinas, não podemos deixar de nos fascinar com o avanço deste “mundo novo”, mas, ao mesmo tempo, de nos inquietar com as consequências sociais.

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Muros frágeis

Tempos estranhos estes, com os EUA a erguerem muros, diferentes muros, contra a “globalização” e esta a ser defendida, imagine-se, pela República Popular da China!

Os fantasmas de certos nacionalismos são desenterrados, o Brexit avança, a retórica de Donald Trump tende a materializar-se. Enfim, o regresso do proteccionismo económico está aí, há guerras comerciais em perspectiva.

É verdade que o campo estava fértil para o populismo dos “nacionalistas” medrar. De facto, nos últimos anos foram cometidos erros graves com a aceleração descontrolada da mundialização da economia, erros que favoreceram os arautos do proteccionismo.

Fala-se agora em reconfigurar a “velha” globalização, à qual os seus detractores atribuem todos os males do mundo. Ora, como se explica neste número, “a globalização tem as costas largas”.

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70 anos depois

Nestes dias de negação da solidariedade internacional, quando assistimos ao triunfo dos piores nacionalismos, quando são incensados políticos que prometem erguer muros entre as nações, não podemos deixar de notar o contraste com os estadistas que a partir do final dos anos quarenta do século passado reconstruíram a Europa Ocidental que a Segunda Guerra havia destruído.

Não pretendendo analisar aqui as questões ideológicas e geoestratégicas que muito pesaram na sua implementação, afigura-se pertinente a interrogação: seria possível, hoje, um Plano Marshall? Referimo-nos, claro, ao “espírito” desse Plano, isto é, à solidariedade entre os EUA e a Europa Ocidental – muito para além dos empréstimos e doações financeiras de outros tempos.

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O Economista 2016

Apesar da descompressão social que se observa, o bom senso aconselha a não descurar o “aviso amarelo” que, desde há muito, paira sobre a economia portuguesa.

A pressão dos nossos credores, que contam com o eficaz trabalho das poderosas agências de rating, não se compadece com o abrandamento de certas reformas; ora, a materialização dessas mesmas reformas pode fazer perigar a “estabilidade política” que a exigente Fitch acaba de elogiar. É o tal dilema: os credores reclamam reformas, cientes de que só estas garantem os seus investimentos; as reformas, certas reformas, correm o risco de abalar a estabilidade política tão apreciada pelos “representantes” dos credores… Convenhamos que não é fácil romper o círculo.

Este ambiente de contradições dá força às grandes agências de rating americanas, que se dizem preocupadas com o rumo que vem sendo seguido. As preocupações estendem-se à DBRS, que, em recente relatório, sublinhou “o tecido económico fraco e as finanças públicas vulneráveis”.

Tem razão a agência canadiana. Portugal continua a ter um tecido empresarial fraco, sendo certo que a produtividade/competitividade das empresas é muito baixa, os níveis de endividamento não são travados, tudo isto condicionando a evolução da economia. E, last but not least, está por resolver o candente problema da banca.

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