Demografia em debate na Ordem dos Economistas

Realiza-se hoje, dia 18 de Abril de 2018, às 18h, na sede da Ordem dos Economistas, uma Conferência sobre Demografia, a partir do tema tratado na última edição dos Cadernos de Economia.

Serão oradores os professores Manuel Carrageta, Stella Bettencourt da Câmara e Glória Rebelo. A moderação estará a cargo do jornalista Paulo Ferreira.

O envelhecimento, a quebra da natalidade, a hipótese de um país em extinção e o papel da segurança social, entre outros temas, serão debatidos nessa tarde.

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Projecções preocupantes

Nesta edição, dedicada à demografia, o título da peça da investigadora, sempre ponderada, corre o risco de, desta vez, ser considerado especulativo: Portugal, um País em extinção?! Mas será mesmo especulativo?

Por sua vez, o economista tido por optimista nas suas análises, afirma agora: O País enfrenta um inverno geracional. Os nascimentos não chegam para repor o saldo populacional. E isso acontece há vários anos, o que permite dizer que se trata da tal tendência pesada que, se não for invertida, conduzirá ao desaparecimento do povo português. Alarmismo dispensável ou alarme necessário?

Com mais ou menos assertividade, os autores desta edição, académicos quase todos, mostram-se apreensivos com o “saldo demográfico” do nosso país.

E, como nota João Peixoto, os demógrafos, ao contrário dos economistas, lidam bem com projecções a longo prazo e atingem um elevado grau de precisão nesses exercícios.

Ora, se as aludidas projecções atingirem agora o tal “grau de precisão”, a situação não deixa, realmente, de ser preocupante.

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As próximas jogadas

Ano estranho este de 2017 – positivo em termos de finanças públicas, nem tanto quando observamos certas decisões políticas.

Como se escreveu, a tragédia de Pedrógão (17 de Junho) mostrou a face negativa de um Governo até aí determinado, confiante e confiável. O que se seguiu é conhecido: incapacidade em enfrentar os problemas, velhos e novos – os mais graves como a seca e os incêndios de 15 de Outubro, e os mais simples como a transferência do Infarmed ou a (des)aprovação da taxa das renováveis. A firmeza estratégica de outrora deu lugar à desorientação.

Que o Executivo se auto-fragilizou, desbaratando o capital resultante do seu sucesso económico, é questão pacífica, aliás admitida por um novíssimo Ministro. Daí as cedências que o Governo vem fazendo junto de parceiros e adversários, corporações e entidades outras.

Decididamente, não é esta a actuação de que o País carece quando 2018 surge no horizonte carregado de perigos que não devem ser subestimados.

Face à debilidade do Poder, podem-se esperar movimentações de jogadores ansiosos por lançar as suas peças ou, até, fazer xeque-mate! São de recear jogadas potencialmente geradoras de instabilidade.

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O Economista 2017

Em 1987 – ano em que foi concebido O Economista-Anuário da Economia Portuguesa, no âmbito do Projecto Cadernos de Economia – a então “jovem democracia portuguesa” tinha 13 anos e alguma instabilidade, Mário Soares e Cavaco Silva eram Presidente da República e Primeiro-Ministro, o País vivia os primeiros tempos da integração europeia.

Os efeitos da segunda intervenção do FMI faziam-se sentir. Pressionado pela CEE, Portugal aceitava uma polémica revolução nos sectores da agricultura, da pecuária e das pescas, em troca de aliciantes fundos europeus.

Enquanto a Europa acelerava (o “Acto Único” entrou em vigor em Julho), Portugal debatia-se com problemas complexos, mormente de falta de competitividade da sua economia. Nas Finanças, sobressaía o carismático ministro Miguel Cadilhe. E, como hoje, há 30 anos falava-se muito de “reformas estruturais”…

Ora, é neste contexto, precisamente quando acontece o crash bolsista de Outubro de 1987, que ganha forma o Projecto Cadernos de Economia, integrando o anuário O Economista.

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Economistas em Congresso

A nova globalização, o proteccionismo e o futuro da Europa vão a debate no 7.º Congresso Nacional dos Economistas Portugueses (Lisboa, Gulbenkian, 12 e 13 de Outubro).

Temas fundamentais nestes tempos de anunciada turbulência, na Europa e no resto do mundo, aqui os tratamos, em conexão com os trabalhos do Congresso, através de reputadas personalidades – economistas e analistas de outras áreas, como são os casos de Jaime Nogueira Pinto, Vital Moreira e José Tribolet.

Os desafios que ora se colocam à União Europeia são analisados pelos primeiros e, também, por economistas/especialistas como Joaquim Aguiar, Paulo de Almeida Sande, António Covas e Dieter Dellinger.

Por sua vez, Glória Rebelo centra-se no “crescimento inclusivo e boa governação”, enquanto Pedro Braz Teixeira se mostra apreensivo com “a falta de consciência do nosso problema económico”.

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Ficção ontem

Quando assistimos ao desenvolvimento dos carros autónomos, dos robôs-cirurgiões, dos drones que substituem os estafetas na distribuição; quando sabemos que escritórios de advogados, bancos, órgãos de comunicação social substituem o trabalho de centenas de milhares de quadros por robôs ou, mesmo, por simples “aplicações”, o cliché torna-se inevitável: a realidade ultrapassou a ficção.

Dentro de oito anos – garante um estudo da McKinsey – as tecnologias de automação podem substituir 110 a 140 milhões de pessoas em todo o mundo. Um número que inclui pessoas com tarefas cada vez mais criativas e intelectuais, coisa não despicienda…

E se tivermos em conta que um estudo da Universidade de Oxford, citado nesta edição, estima que quando a actual geração de bebés chegar à idade adulta, quase metade dos empregos actuais terão sido tomados por máquinas, não podemos deixar de nos fascinar com o avanço deste “mundo novo”, mas, ao mesmo tempo, de nos inquietar com as consequências sociais.

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