Trabalho e produtividade

Autores qualificados, designadamente académicos e gestores, analisam nesta edição o principal problema económico do País: a produtividade da economia portuguesa.

Como se sabe, propagam-se velhas imprecisões (sejamos benévolos…) sobre o assunto. Por exemplo: “mais horas de trabalho correspondem a mais produtividade”. (Se assim fosse, não estaríamos na cauda da Europa em termos de produtividade, dado que trabalhamos mais horas do que a média europeia).

Ao longo da edição são tratados os vários aspectos que determinam e condicionam a produtividade, desde a organização das empresas à inovação, passando pela qualificação dos trabalhadores.

Por outro lado, assinalamos o centenário da OIT, através de textos de três especialistas atentos aos problemas globais. Como salienta a Directora da OIT Lisboa, “a baixa produtividade é uma das causas da pobreza no trabalho, impedindo, por exemplo, as empresas de criarem novos e melhores empregos”.

Continuar a ler Trabalho e produtividade

Anúncios

O Interior não está esquecido…

… em termos de mediatização!

De facto, nunca se escreveu tanto, nunca se falou tanto, nunca se debateu tanto em relação ao Interior, sobretudo depois dos trágicos incêndios de 2017.

Mas a realidade mostra que, no terreno, não se realizaram mudanças de fundo.

A “sociedade civil”, o melhor da “sociedade civil”, mobilizou-se e agora tem razões para se sentir frustrada. Na verdade, no seu âmbito foram realizados aprofundados estudos, foram sugeridos medidas, foram apontados caminhos – sem resultados práticos até hoje.

A descentralização dos serviços do Estado continua por executar (a anunciada intenção de instalar a novel Secretaria de Estado da Valorização do Interior constitui porventura um sinal interessante, mas, assim isolado, não passa disso, um sinal simbólico), a atracção de empresas com capacidade para gerar emprego qualificado não acontece, a despovoação de vastas zonas acentua-se.

Continuar a ler O Interior não está esquecido…

O Economista 2018

A retórica política não consegue, não tem conseguido, alterar a realidade: a globalização (ainda) está de saúde e recomenda-se. Isto, não obstante existir o risco de “um movimento de regresso ao proteccionismo e aos conflitos comerciais bilaterais”, como lembra João Confraria nas páginas 29-31.

Ora, sabe-se, um país como Portugal, membro de uma União Europeia a abrir brechas, está condicionado por estratégias de outros blocos, de Washington a Pequim. Lá longe, na China, os accionistas da EDP poderão não apreciar a beleza do majestoso edifício que alberga o Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia, localizado em Lisboa – passe a caricatura!…

Nesta edição, Francisco Melro, José Félix Ribeiro, Fernanda Ilhéu e João Ferreira do Amaral assinam importantes trabalhos sobre o assunto.

Por sua vez, Fernando Teixeira dos Santos, Fernando Faria de Oliveira, João César das Neves e Teodora Cardoso analisam a solidez do sistema bancário, a dívida e o controlo orçamental, enquanto, noutro plano, José Reis aborda os limites da acção política, cabendo a José Ferreira Gomes escrever sobre o ensino.

O desemprego qualificado é analisado por Mário Caldeira Dias, a convergência inteligente da economia portuguesa por Francisco Jaime Quesado, e os desafios da Indústria 4.0 por Glória Rebelo.

Dissecando as questões da política florestal, Raul Lopes receia que o País possa continuar a arder, ao mesmo tempo que Francisco Avillez e Licínio Pina abordam os problemas do sector agrícola.

Continuar a ler O Economista 2018

Os fundos estruturais e a memória

O estado em que se encontravam as infra-estruturas do País, públicas e privadas, antes do acesso aos fundos comunitários, nem sempre é reconhecido.

Nessa altura, o percurso rodoviário Lisboa-Porto, atravessando “a passo” cidades, vilas e aldeias, era penoso, a conclusão da A1 só aconteceu já nos anos noventa. É um exemplo, emblemático, das vias de acesso que (não) tínhamos, com as consequências conhecidas em termos de desenvolvimento do País.

Para muitos, o atraso que se verificava antes de 1986, em todas as áreas de actividade, seria insuperável sem os fundos europeus. Como se explica nesta edição, desde 1986 até ao corrente ano de 2018, o orçamento comunitário inscreveu mais de 100 mil milhões de euros para apoios a projectos e acções de investimento em Portugal. Mas também se explica que “em cada cem candidaturas empresariais aos fundos comunitários do Portugal 2020, apenas 37 são aprovadas”…

A par de coisas que não correram bem, incluindo no domínio da formação profissional, muitas outras correram bem e a verdade é que o País se modernizou após 1986.

Continuar a ler Os fundos estruturais e a memória

O ensino da Economia e da Gestão em Portugal

O ensino da Economia e da Gestão em Portugal atravessa uma fase de algum dinamismo: novos cursos e novas escolas, muitas delas com um notável ambiente internacional e intercultural.

Desde que, há mais de 250 anos, foi criada a “Aula de Comércio” (Valério, p. 9), precursora do actual ensino superior de Economia e Gestão, registaram-se transformações no sector que qualquer comparação ensaiada relativamente ao que hoje se passa não faria qualquer sentido, tão abissais são as diferenças.

Mas se o percurso entre 1759 e 2018 foi lento e gradual, as transformações que se observam nestes dias são galopantes, exigindo uma constante renovação, inclusive de conceitos e de estratégias, visando a produção de conhecimento científico com rigor.

Continuar a ler O ensino da Economia e da Gestão em Portugal

Demografia em debate na Ordem dos Economistas

Realiza-se hoje, dia 18 de Abril de 2018, às 18h, na sede da Ordem dos Economistas, uma Conferência sobre Demografia, a partir do tema tratado na última edição dos Cadernos de Economia.

Serão oradores os professores Manuel Carrageta, Stella Bettencourt da Câmara e Glória Rebelo. A moderação estará a cargo do jornalista Paulo Ferreira.

O envelhecimento, a quebra da natalidade, a hipótese de um país em extinção e o papel da segurança social, entre outros temas, serão debatidos esta tarde.

Projecções preocupantes

Nesta edição, dedicada à demografia, o título da peça da investigadora, sempre ponderada, corre o risco de, desta vez, ser considerado especulativo: Portugal, um País em extinção?! Mas será mesmo especulativo?

Por sua vez, o economista tido por optimista nas suas análises, afirma agora: O País enfrenta um inverno geracional. Os nascimentos não chegam para repor o saldo populacional. E isso acontece há vários anos, o que permite dizer que se trata da tal tendência pesada que, se não for invertida, conduzirá ao desaparecimento do povo português. Alarmismo dispensável ou alarme necessário?

Com mais ou menos assertividade, os autores desta edição, académicos quase todos, mostram-se apreensivos com o “saldo demográfico” do nosso país.

E, como nota João Peixoto, os demógrafos, ao contrário dos economistas, lidam bem com projecções a longo prazo e atingem um elevado grau de precisão nesses exercícios.

Ora, se as aludidas projecções atingirem agora o tal “grau de precisão”, a situação não deixa, realmente, de ser preocupante.

Continuar a ler Projecções preocupantes

As próximas jogadas

Ano estranho este de 2017 – positivo em termos de finanças públicas, nem tanto quando observamos certas decisões políticas.

Como se escreveu, a tragédia de Pedrógão (17 de Junho) mostrou a face negativa de um Governo até aí determinado, confiante e confiável. O que se seguiu é conhecido: incapacidade em enfrentar os problemas, velhos e novos – os mais graves como a seca e os incêndios de 15 de Outubro, e os mais simples como a transferência do Infarmed ou a (des)aprovação da taxa das renováveis. A firmeza estratégica de outrora deu lugar à desorientação.

Que o Executivo se auto-fragilizou, desbaratando o capital resultante do seu sucesso económico, é questão pacífica, aliás admitida por um novíssimo Ministro. Daí as cedências que o Governo vem fazendo junto de parceiros e adversários, corporações e entidades outras.

Decididamente, não é esta a actuação de que o País carece quando 2018 surge no horizonte carregado de perigos que não devem ser subestimados.

Face à debilidade do Poder, podem-se esperar movimentações de jogadores ansiosos por lançar as suas peças ou, até, fazer xeque-mate! São de recear jogadas potencialmente geradoras de instabilidade.

Continuar a ler As próximas jogadas

O Economista 2017

Em 1987 – ano em que foi concebido O Economista-Anuário da Economia Portuguesa, no âmbito do Projecto Cadernos de Economia – a então “jovem democracia portuguesa” tinha 13 anos e alguma instabilidade, Mário Soares e Cavaco Silva eram Presidente da República e Primeiro-Ministro, o País vivia os primeiros tempos da integração europeia.

Os efeitos da segunda intervenção do FMI faziam-se sentir. Pressionado pela CEE, Portugal aceitava uma polémica revolução nos sectores da agricultura, da pecuária e das pescas, em troca de aliciantes fundos europeus.

Enquanto a Europa acelerava (o “Acto Único” entrou em vigor em Julho), Portugal debatia-se com problemas complexos, mormente de falta de competitividade da sua economia. Nas Finanças, sobressaía o carismático ministro Miguel Cadilhe. E, como hoje, há 30 anos falava-se muito de “reformas estruturais”…

Ora, é neste contexto, precisamente quando acontece o crash bolsista de Outubro de 1987, que ganha forma o Projecto Cadernos de Economia, integrando o anuário O Economista.

Continuar a ler O Economista 2017

Economistas em Congresso

A nova globalização, o proteccionismo e o futuro da Europa vão a debate no 7.º Congresso Nacional dos Economistas Portugueses (Lisboa, Gulbenkian, 12 e 13 de Outubro).

Temas fundamentais nestes tempos de anunciada turbulência, na Europa e no resto do mundo, aqui os tratamos, em conexão com os trabalhos do Congresso, através de reputadas personalidades – economistas e analistas de outras áreas, como são os casos de Jaime Nogueira Pinto, Vital Moreira e José Tribolet.

Os desafios que ora se colocam à União Europeia são analisados pelos primeiros e, também, por economistas/especialistas como Joaquim Aguiar, Paulo de Almeida Sande, António Covas e Dieter Dellinger.

Por sua vez, Glória Rebelo centra-se no “crescimento inclusivo e boa governação”, enquanto Pedro Braz Teixeira se mostra apreensivo com “a falta de consciência do nosso problema económico”.

Continuar a ler Economistas em Congresso