Transição energética: um debate (quase) feito e outro por fazer

A insustentabilidade do velho modelo energético, assente no consumo de combustíveis fósseis, é hoje uma questão (quase) pacífica – aceite, até, por um crescente número de ex-negacionistas das alterações climáticas.

Estamos longe (não tanto assim, em termos de anos de distância…) do debate “ambiente versus desenvolvimento económico”, quando se insinuava um “dilema” (que existiu, mas que nunca devia ter existido), quando se extremavam posições, digamos, “ideológicas”, entre ambientalistas e tecnocratas. Durante décadas, muito se discutiu acerca do tema, inclusive aqui, nos Cadernos de Economia.

Enfim, diz-se que falar hoje do perigo do alargamento do “buraco do ozono” ou da urgência de descarbonização, por exemplo, corresponde a um debate que já foi feito, cujas conclusões estão geralmente aceites. Realmente, já ninguém contesta o fim dos carros a gasóleo/gasolina e a sua substituição por viaturas eléctricas, movidas a hidrogénio ou a outro combustível; o que se analisa agora é a alternativa, o modo/data de fazer a transição. O que se diz dos automóveis, como mero exemplo, serve para todos os sectores da economia.

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A difícil arte de “desconfinar”

A conciliação entre o combate à COVID-19 e a recuperação da economia não está fácil.

Após algumas semanas de alívio em termos sanitários, que permitiu a saída de milhares de portugueses das suas casas e a consequente laboração de fábricas, a abertura de estabelecimentos comerciais, enfim, o chamado regresso da economia, o fantasma viral voltou com forte intensidade, mormente na região da Grande Lisboa e Vale do Tejo.

Apontam-se causas, às vezes de forma simplista, criticam-se decisões, o medo reinstala-se, a confiança dilui-se. E sabe-se da importância da confiança em todos os domínios da sociedade, sobretudo na economia.

O Poder e as autoridades sanitárias, que tão bem estiveram na primeira fase da pandemia, merecendo os elogios nacionais e internacionais, dão agora mostras de uma certa desorientação – nas medidas e na comunicação. À semelhança, aliás, do que sucede em quase todos os países do mundo, com políticos e cientistas desesperados, debitando posições contraditórias, corrigindo hoje as posições de ontem.

Fala-se na segunda vaga, o secretário-geral da ONU afirma que, num cenário optimista, a normalidade no mundo só acontecerá a partir de 2023.

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Webinar “COVID-19: Economia – Impactos e cenários de recuperação”

No próximo dia 21 de Maio, às 16 horas, a Ordem dos Engenheiros promove o Webinar “COVID-19: Economia – Impactos e cenários de recuperação”.

Jorge Marrão (Partner da Delloite), Luís Mira Amaral (Membro Conselheiro da Ordem dos Economistas) e Jorge Portugal (Director-Geral da COTEC) serão os convidados que estarão a analisar o impacto que a actual crise pandémica do novo Coronavirus COVID-19 tem e terá na economia nacional e internacional.

Esta iniciativa, transmitida através da Plataforma Zoom, será moderada por Rui Leão Martinho, Bastonário da Ordem dos Economistas.

Após a sua inscrição receberá o link de acesso ao evento. As inscrições são limitadas e obrigatórias.

Inscrições aqui.

Colisão iminente?

Esta edição dedicada à “sustentabilidade – ambiente/desenvolvimento” foi planeada em Dezembro e começou a ser executada em Janeiro. Os primeiros textos foram concluídos durante esse mês, a grande maioria em Fevereiro, havendo ainda casos, poucos, de autores que enviaram os seus trabalhos no início de Março corrente. O habitual na elaboração das edições dos Cadernos de Economia.

Nada habitual foi o que aconteceu, em Portugal e no mundo, na altura em que a revista ficou pronta para impressão na Gráfica. A aceleração incontrolada da pandemia do Covid-19 virou o planeta do avesso.

Mas a economia, como nos é lembrado, não pode parar, não vai parar. E, assim, o número de Março dos Cadernos de Economia sai na altura programada.

Nestes dias de chumbo, surgem motivos para novas reflexões sobre velhos conceitos de desenvolvimento, sobre os limites do crescimento, sobre a colisão ambiente/industrialização. Enfim, sobre a sustentabilidade – o tema desta edição dos Cadernos de Economia há muito planeada e que agora se revela ainda de maior oportunidade.

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Grandes interrogações

Os balanços estão feitos. E, como sempre acontece, há balanços para todos os gostos.

Em boa verdade, pode dizer-se que 2019 não foi mau – no plano das finanças públicas; em termos de criação de emprego; em relação à imagem internacional do País. A “concertação” correu bem, os conflitos laborais foram, na sua grande maioria, resolvidos, enfim, foi um ano de relativa paz social.

Importa, agora, olhar para 2020 – um ano que, a par de alguns sinais positivos, apresenta grandes interrogações no domínio da economia, da concertação social e, também, da política pura e dura.

Sabe-se que a saúde da economia portuguesa está ligada ao volume das exportações. Por isso, e não apenas por isso, não se pode esquecer a frágil conjuntura internacional, desde a Europa à América Latina e ao Médio Oriente, ao mesmo tempo que se espera que as recentes boas notícias acerca do acordo EUA/China não sofram um novo revés.

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15.ª Conferência Anual da Ordem dos Economistas

O Orçamento do Estado para 2020 vai a debate na 15.ª Conferência Anual da Ordem dos Economistas a realizar no dia 15 de Janeiro do próximo ano, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

A sessão de abertura será às 09:30 e estará a cargo do Bastonário da Ordem dos Economistas, Rui Leão Martinho, e do Ministro de Estado e das Finanças e Presidente do Eurogrupo, Mário Centeno.

Serão oradores os Secretários de Estado do Orçamento e dos Assuntos Fiscais, João Leão e António Mendonça Mendes, o Professor da Universidade de Évora, Paulo Neto, o Partner da Delloite, Jorge Marrão, e o Governador do Banco de Portugal, Carlos Costa.

Os impostos e taxas no OE-2020, as políticas públicas e o crescimento, entre outros temas, serão debatidos durante o dia.

O encerramento está previsto para as 18h.

Para mais informações, pode consultar o programa provisório oficial aqui.

O Economista 2019

De um ponto de vista objectivo, pode dizer-se que Portugal e a sua economia atravessam um período de estabilidade. Contudo, estabilidade condicionada. Desde logo, pela turbulência internacional: a guerra comercial EUA/China, o endividamento das empresas chinesas, a estratégia ardilosa de Putin, as ambições de Erdogan, as multifacetadas pontas do conflito do Médio Oriente. E os problemas da União Europeia, com o Brexit em destaque.

Portugal, sabe-se, é um país com uma economia aberta, vulnerável aos ventos provindos das zonas agitadas do globo.

Dizem-nos que o País está preparado para enfrentar a nova crise mundial – agora anunciada não apenas pelo controverso Nouriel Roubini. Aqui manifestamos o maior cepticismo em relação a esse “trancar de portas”. A “tempestade”, a acontecer como tudo indica, será imparável.

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A qualificação dos portugueses

Sabe-se que educação, instrução e qualificação não são a mesma coisa – embora persista alguma “confusão”, inclusive junto de certas “elites”.

Ora, se em relação à educação Portugal não está tão mal assim, já no que concerne à qualificação dos portugueses a situação é bastante má no contexto europeu e mundial. Há até quem considere a situação das qualificações uma autêntica “tragédia nacional”, como escreve neste número dos Cadernos de Economia um prestigiado investigador.

O assunto é dos mais candentes da sociedade portuguesa, afectando de forma decisiva a economia.

A baixa produtividade nacional – não obstante os portugueses serem dos povos que mais horas trabalham – está directamente ligada ao problema das qualificações.

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As decisões

O diagnóstico está feito: a próxima década será caracterizada por mudanças extraordinárias, galopantes, nas estruturas económicas e sociais.

Um outro mundo está a chegar. Não, talvez, o “admirável mundo novo” de Aldous Huxley, mas um tempo de transformações assentes em inovações tecnológicas que tornarão melhor a Humanidade.

Naturalmente, as inevitáveis rupturas, radicais algumas, consagrarão situações complexas, dolorosas mesmo – nos domínios empresarial, laboral, da informação, do ensino, da saúde, do envelhecimento, etc.

Sabe-se que a demografia é um problema particularmente grave, de difícil resolução. Sabe-se que a maioria das profissões hoje existentes desaparecerão em breve para dar lugar a outras. A inteligência artificial é fascinante, mas os riscos que comporta não podem deixar de ser enfrentados.

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