O Economista 2018

A retórica política não consegue, não tem conseguido, alterar a realidade: a globalização (ainda) está de saúde e recomenda-se. Isto, não obstante existir o risco de “um movimento de regresso ao proteccionismo e aos conflitos comerciais bilaterais”, como lembra João Confraria nas páginas 29-31.

Ora, sabe-se, um país como Portugal, membro de uma União Europeia a abrir brechas, está condicionado por estratégias de outros blocos, de Washington a Pequim. Lá longe, na China, os accionistas da EDP poderão não apreciar a beleza do majestoso edifício que alberga o Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia, localizado em Lisboa – passe a caricatura!…

Nesta edição, Francisco Melro, José Félix Ribeiro, Fernanda Ilhéu e João Ferreira do Amaral assinam importantes trabalhos sobre o assunto.

Por sua vez, Fernando Teixeira dos Santos, Fernando Faria de Oliveira, João César das Neves e Teodora Cardoso analisam a solidez do sistema bancário, a dívida e o controlo orçamental, enquanto, noutro plano, José Reis aborda os limites da acção política, cabendo a José Ferreira Gomes escrever sobre o ensino.

O desemprego qualificado é analisado por Mário Caldeira Dias, a convergência inteligente da economia portuguesa por Francisco Jaime Quesado, e os desafios da Indústria 4.0 por Glória Rebelo.

Dissecando as questões da política florestal, Raul Lopes receia que o País possa continuar a arder, ao mesmo tempo que Francisco Avillez e Licínio Pina abordam os problemas do sector agrícola.

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Os fundos estruturais e a memória

O estado em que se encontravam as infra-estruturas do País, públicas e privadas, antes do acesso aos fundos comunitários, nem sempre é reconhecido.

Nessa altura, o percurso rodoviário Lisboa-Porto, atravessando “a passo” cidades, vilas e aldeias, era penoso, a conclusão da A1 só aconteceu já nos anos noventa. É um exemplo, emblemático, das vias de acesso que (não) tínhamos, com as consequências conhecidas em termos de desenvolvimento do País.

Para muitos, o atraso que se verificava antes de 1986, em todas as áreas de actividade, seria insuperável sem os fundos europeus. Como se explica nesta edição, desde 1986 até ao corrente ano de 2018, o orçamento comunitário inscreveu mais de 100 mil milhões de euros para apoios a projectos e acções de investimento em Portugal. Mas também se explica que “em cada cem candidaturas empresariais aos fundos comunitários do Portugal 2020, apenas 37 são aprovadas”…

A par de coisas que não correram bem, incluindo no domínio da formação profissional, muitas outras correram bem e a verdade é que o País se modernizou após 1986.

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O ensino da Economia e da Gestão em Portugal

O ensino da Economia e da Gestão em Portugal atravessa uma fase de algum dinamismo: novos cursos e novas escolas, muitas delas com um notável ambiente internacional e intercultural.

Desde que, há mais de 250 anos, foi criada a “Aula de Comércio” (Valério, p. 9), precursora do actual ensino superior de Economia e Gestão, registaram-se transformações no sector que qualquer comparação ensaiada relativamente ao que hoje se passa não faria qualquer sentido, tão abissais são as diferenças.

Mas se o percurso entre 1759 e 2018 foi lento e gradual, as transformações que se observam nestes dias são galopantes, exigindo uma constante renovação, inclusive de conceitos e de estratégias, visando a produção de conhecimento científico com rigor.

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Demografia em debate na Ordem dos Economistas

Realiza-se hoje, dia 18 de Abril de 2018, às 18h, na sede da Ordem dos Economistas, uma Conferência sobre Demografia, a partir do tema tratado na última edição dos Cadernos de Economia.

Serão oradores os professores Manuel Carrageta, Stella Bettencourt da Câmara e Glória Rebelo. A moderação estará a cargo do jornalista Paulo Ferreira.

O envelhecimento, a quebra da natalidade, a hipótese de um país em extinção e o papel da segurança social, entre outros temas, serão debatidos esta tarde.

Projecções preocupantes

Nesta edição, dedicada à demografia, o título da peça da investigadora, sempre ponderada, corre o risco de, desta vez, ser considerado especulativo: Portugal, um País em extinção?! Mas será mesmo especulativo?

Por sua vez, o economista tido por optimista nas suas análises, afirma agora: O País enfrenta um inverno geracional. Os nascimentos não chegam para repor o saldo populacional. E isso acontece há vários anos, o que permite dizer que se trata da tal tendência pesada que, se não for invertida, conduzirá ao desaparecimento do povo português. Alarmismo dispensável ou alarme necessário?

Com mais ou menos assertividade, os autores desta edição, académicos quase todos, mostram-se apreensivos com o “saldo demográfico” do nosso país.

E, como nota João Peixoto, os demógrafos, ao contrário dos economistas, lidam bem com projecções a longo prazo e atingem um elevado grau de precisão nesses exercícios.

Ora, se as aludidas projecções atingirem agora o tal “grau de precisão”, a situação não deixa, realmente, de ser preocupante.

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As próximas jogadas

Ano estranho este de 2017 – positivo em termos de finanças públicas, nem tanto quando observamos certas decisões políticas.

Como se escreveu, a tragédia de Pedrógão (17 de Junho) mostrou a face negativa de um Governo até aí determinado, confiante e confiável. O que se seguiu é conhecido: incapacidade em enfrentar os problemas, velhos e novos – os mais graves como a seca e os incêndios de 15 de Outubro, e os mais simples como a transferência do Infarmed ou a (des)aprovação da taxa das renováveis. A firmeza estratégica de outrora deu lugar à desorientação.

Que o Executivo se auto-fragilizou, desbaratando o capital resultante do seu sucesso económico, é questão pacífica, aliás admitida por um novíssimo Ministro. Daí as cedências que o Governo vem fazendo junto de parceiros e adversários, corporações e entidades outras.

Decididamente, não é esta a actuação de que o País carece quando 2018 surge no horizonte carregado de perigos que não devem ser subestimados.

Face à debilidade do Poder, podem-se esperar movimentações de jogadores ansiosos por lançar as suas peças ou, até, fazer xeque-mate! São de recear jogadas potencialmente geradoras de instabilidade.

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O Economista 2017

Em 1987 – ano em que foi concebido O Economista-Anuário da Economia Portuguesa, no âmbito do Projecto Cadernos de Economia – a então “jovem democracia portuguesa” tinha 13 anos e alguma instabilidade, Mário Soares e Cavaco Silva eram Presidente da República e Primeiro-Ministro, o País vivia os primeiros tempos da integração europeia.

Os efeitos da segunda intervenção do FMI faziam-se sentir. Pressionado pela CEE, Portugal aceitava uma polémica revolução nos sectores da agricultura, da pecuária e das pescas, em troca de aliciantes fundos europeus.

Enquanto a Europa acelerava (o “Acto Único” entrou em vigor em Julho), Portugal debatia-se com problemas complexos, mormente de falta de competitividade da sua economia. Nas Finanças, sobressaía o carismático ministro Miguel Cadilhe. E, como hoje, há 30 anos falava-se muito de “reformas estruturais”…

Ora, é neste contexto, precisamente quando acontece o crash bolsista de Outubro de 1987, que ganha forma o Projecto Cadernos de Economia, integrando o anuário O Economista.

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