Ficção ontem

Quando assistimos ao desenvolvimento dos carros autónomos, dos robôs-cirurgiões, dos drones que substituem os estafetas na distribuição; quando sabemos que escritórios de advogados, bancos, órgãos de comunicação social substituem o trabalho de centenas de milhares de quadros por robôs ou, mesmo, por simples “aplicações”, o cliché torna-se inevitável: a realidade ultrapassou a ficção.

Dentro de oito anos – garante um estudo da McKinsey – as tecnologias de automação podem substituir 110 a 140 milhões de pessoas em todo o mundo. Um número que inclui pessoas com tarefas cada vez mais criativas e intelectuais, coisa não despicienda…

E se tivermos em conta que um estudo da Universidade de Oxford, citado nesta edição, estima que quando a actual geração de bebés chegar à idade adulta, quase metade dos empregos actuais terão sido tomados por máquinas, não podemos deixar de nos fascinar com o avanço deste “mundo novo”, mas, ao mesmo tempo, de nos inquietar com as consequências sociais.

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Muros frágeis

Tempos estranhos estes, com os EUA a erguerem muros, diferentes muros, contra a “globalização” e esta a ser defendida, imagine-se, pela República Popular da China!

Os fantasmas de certos nacionalismos são desenterrados, o Brexit avança, a retórica de Donald Trump tende a materializar-se. Enfim, o regresso do proteccionismo económico está aí, há guerras comerciais em perspectiva.

É verdade que o campo estava fértil para o populismo dos “nacionalistas” medrar. De facto, nos últimos anos foram cometidos erros graves com a aceleração descontrolada da mundialização da economia, erros que favoreceram os arautos do proteccionismo.

Fala-se agora em reconfigurar a “velha” globalização, à qual os seus detractores atribuem todos os males do mundo. Ora, como se explica neste número, “a globalização tem as costas largas”.

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70 anos depois

Nestes dias de negação da solidariedade internacional, quando assistimos ao triunfo dos piores nacionalismos, quando são incensados políticos que prometem erguer muros entre as nações, não podemos deixar de notar o contraste com os estadistas que a partir do final dos anos quarenta do século passado reconstruíram a Europa Ocidental que a Segunda Guerra havia destruído.

Não pretendendo analisar aqui as questões ideológicas e geoestratégicas que muito pesaram na sua implementação, afigura-se pertinente a interrogação: seria possível, hoje, um Plano Marshall? Referimo-nos, claro, ao “espírito” desse Plano, isto é, à solidariedade entre os EUA e a Europa Ocidental – muito para além dos empréstimos e doações financeiras de outros tempos.

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O Economista 2016

Apesar da descompressão social que se observa, o bom senso aconselha a não descurar o “aviso amarelo” que, desde há muito, paira sobre a economia portuguesa.

A pressão dos nossos credores, que contam com o eficaz trabalho das poderosas agências de rating, não se compadece com o abrandamento de certas reformas; ora, a materialização dessas mesmas reformas pode fazer perigar a “estabilidade política” que a exigente Fitch acaba de elogiar. É o tal dilema: os credores reclamam reformas, cientes de que só estas garantem os seus investimentos; as reformas, certas reformas, correm o risco de abalar a estabilidade política tão apreciada pelos “representantes” dos credores… Convenhamos que não é fácil romper o círculo.

Este ambiente de contradições dá força às grandes agências de rating americanas, que se dizem preocupadas com o rumo que vem sendo seguido. As preocupações estendem-se à DBRS, que, em recente relatório, sublinhou “o tecido económico fraco e as finanças públicas vulneráveis”.

Tem razão a agência canadiana. Portugal continua a ter um tecido empresarial fraco, sendo certo que a produtividade/competitividade das empresas é muito baixa, os níveis de endividamento não são travados, tudo isto condicionando a evolução da economia. E, last but not least, está por resolver o candente problema da banca.

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O terceiro sector

A atravessar razoável pujança, a economia social merece o “estatuto” de terceiro sector.

Mas, tal como os outros sectores (privado e público), também a economia social enfrenta problemas de grande envergadura. Desde logo, os que se prendem com a liderança e gestão dos recursos humanos. Como escreve nesta edição a especialista Paula Guimarães, “a economia social precisa hoje de líderes com visão, inovadores, disponíveis para avaliar o seu próprio desempenho e com a generosidade de entenderem os seus mandatos de forma transitória, garantindo a sua renovação e chamando as novas gerações para o desempenho de funções directivas”.

Uma boa questão esta, a das lideranças na economia social, à qual também se refere Paula Nanita, outra especialista do assunto.

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A força do turismo

Numa altura em que as nuvens se adensam nos céus da Europa, importa visitar os sectores que sustentam a economia portuguesa.

Nesta edição reflectimos sobre o turismo – actividade dinâmica cuja importância no contexto da economia nacional é particularmente relevante.

Com efeito, o turismo representa mais de 15% do total das exportações portuguesas e mais de 8% do emprego. São números que, por si só, atestam a sua força.

Segundo um dos maiores empresários nacionais do sector (página 70), estes tempos trazem-nos “boas notícias” para o turismo.

Deixando de lado algumas das causas (conjunturais?) dessas “boas notícias” – como a turbulência que se vive em alguns dos destinos concorrentes de Portugal – é preciso enfrentar/resolver problemas que vêm impedindo um maior crescimento e, sobretudo, uma maior sustentabilidade do sector. Por exemplo, as dificuldades de diversificar os nossos produtos, de explorar as potencialidades do turismo cultural, religioso, ambiental, marítimo, da saúde, etc.

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