Repetida até à exaustão, a palavra “empreendedorismo” corre o risco de ser banalizada. E, no entanto, nunca como agora o empreendedorismo tem tanta acuidade – particularmente em países como Portugal, onde, por um lado, é fundamental gizar estratégias económicas e de desenvolvimento sustentadas e, por outro, é preciso combater o desemprego no imediato (uma emergência que, diz-se, nem sempre se compadece com os indispensáveis planos de médio/longo prazos). Aqui está um dos pontos relevantes, sabendo-se que a simples criação de um emprego independente não corresponde exactamente ao conceito de empreendedorismo qualificado. Este exige uma aprendizagem desde os primeiros anos de ensino, com grande envolvimento das universidades e das empresas, tendo por base a criatividade, a inovação e todos os pressupostos visando o sucesso de uma unidade empresarial.
Apenas 7,7% dos portugueses em idade adulta são empreendedores qualificados. Este “défice” prende-se com uma cultura que ainda não incentiva devidamente o empreendedorismo, não encoraja o risco como devia, não promove abertamente o sucesso individual. Isto, embora tenha de reconhecer-se o avanço que se vem registando nos últimos tempos – mas demasiado tímido.
Neste número dos Cadernos de Economia fornecemos elementos para o debate necessário, através de trabalhos de reputados especialistas.
