Segundo um estudo referido nesta edição pelo investigador Carlos Jalali, os índices de satisfação dos portugueses com a democracia no nosso país são “os mais baixos desde que há registo em dados do Eurobarómetro”. Não admira que, no contexto da UE28, “Portugal surja agora como o terceiro país onde menos se confia no Governo”.
Eis a raiz de grandes problemas destes dias: a desconfiança. Sobretudo desconfiança relativamente às palavras dos decisores – públicos, mas não apenas… De facto, o valor das palavras atingiu entre nós a “cotação mínima”. O governante anuncia o aumento do IDE, quem ouve sorri; o político, da maioria ou da oposição, faz uma promessa, o contribuinte fica indiferente; o gestor garante a saúde do seu grupo empresarial, o cidadão desconfia.
Enfim, as palavras perderam o seu valor, estão desacreditadas.
Provavelmente, só uma outra geração de políticos e gestores recuperará o valor das palavras. Até lá, olhemos os factos.
