O Economista 2016

Apesar da descompressão social que se observa, o bom senso aconselha a não descurar o “aviso amarelo” que, desde há muito, paira sobre a economia portuguesa.

A pressão dos nossos credores, que contam com o eficaz trabalho das poderosas agências de rating, não se compadece com o abrandamento de certas reformas; ora, a materialização dessas mesmas reformas pode fazer perigar a “estabilidade política” que a exigente Fitch acaba de elogiar. É o tal dilema: os credores reclamam reformas, cientes de que só estas garantem os seus investimentos; as reformas, certas reformas, correm o risco de abalar a estabilidade política tão apreciada pelos “representantes” dos credores… Convenhamos que não é fácil romper o círculo.

Este ambiente de contradições dá força às grandes agências de rating americanas, que se dizem preocupadas com o rumo que vem sendo seguido. As preocupações estendem-se à DBRS, que, em recente relatório, sublinhou “o tecido económico fraco e as finanças públicas vulneráveis”.

Tem razão a agência canadiana. Portugal continua a ter um tecido empresarial fraco, sendo certo que a produtividade/competitividade das empresas é muito baixa, os níveis de endividamento não são travados, tudo isto condicionando a evolução da economia. E, last but not least, está por resolver o candente problema da banca.

Todavia, embora condicionada pela conjuntura internacional pouco favorável, a situação portuguesa afigura-se controlada, merecendo registo os esforços visando resolver velhos e cruciais problemas.

A aludida estabilidade política, a que se liga uma invulgar descompressão social, poderá empurrar os agentes económicos para a inversão de uma situação que, insiste-se, neste momento justifica o aviso amarelo.

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