Muros frágeis

Tempos estranhos estes, com os EUA a erguerem muros, diferentes muros, contra a “globalização” e esta a ser defendida, imagine-se, pela República Popular da China!

Os fantasmas de certos nacionalismos são desenterrados, o Brexit avança, a retórica de Donald Trump tende a materializar-se. Enfim, o regresso do proteccionismo económico está aí, há guerras comerciais em perspectiva.

É verdade que o campo estava fértil para o populismo dos “nacionalistas” medrar. De facto, nos últimos anos foram cometidos erros graves com a aceleração descontrolada da mundialização da economia, erros que favoreceram os arautos do proteccionismo.

Fala-se agora em reconfigurar a “velha” globalização, à qual os seus detractores atribuem todos os males do mundo. Ora, como se explica neste número, “a globalização tem as costas largas”.

O debate é da maior acuidade, tanto mais que, em termos “ideológicos”, e simplificando, pode dizer-se que, de repente, “trocaram-se os conceitos” e não raro os defensores de ontem são os críticos de hoje.

Em qualquer caso, parece que não serão os muros, físicos e outros, a travarem um movimento que teve os portugueses como precursores há mais de cinco séculos.

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