Os fundos estruturais e a memória

O estado em que se encontravam as infra-estruturas do País, públicas e privadas, antes do acesso aos fundos comunitários, nem sempre é reconhecido.

Nessa altura, o percurso rodoviário Lisboa-Porto, atravessando “a passo” cidades, vilas e aldeias, era penoso, a conclusão da A1 só aconteceu já nos anos noventa. É um exemplo, emblemático, das vias de acesso que (não) tínhamos, com as consequências conhecidas em termos de desenvolvimento do País.

Para muitos, o atraso que se verificava antes de 1986, em todas as áreas de actividade, seria insuperável sem os fundos europeus. Como se explica nesta edição, desde 1986 até ao corrente ano de 2018, o orçamento comunitário inscreveu mais de 100 mil milhões de euros para apoios a projectos e acções de investimento em Portugal. Mas também se explica que “em cada cem candidaturas empresariais aos fundos comunitários do Portugal 2020, apenas 37 são aprovadas”…

A par de coisas que não correram bem, incluindo no domínio da formação profissional, muitas outras correram bem e a verdade é que o País se modernizou após 1986.

Este número dos Cadernos de Economia, centrado nos fundos estruturais, é dedicado ao que foi feito, ao que se está a fazer e ao que se projecta executar – no Continente, na Madeira e nos Açores.

Enfim, não é demais lembrar o estado do País antes de 1986 e os efeitos dos fundos na transformação operada. E, ao mesmo tempo, não devem ser esquecidos os “desvios” que aconteceram, nomeadamente no âmbito do FSE.

Despertar a memória, hoje, pode contribuir para evitar erros futuros.

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