Palavras gastas

Segundo um estudo referido nesta edição pelo investigador Carlos Jalali, os índices de satisfação dos portugueses com a democracia no nosso país são “os mais baixos desde que há registo em dados do Eurobarómetro”. Não admira que, no contexto da UE28, “Portugal surja agora como o terceiro país onde menos se confia no Governo”.

Eis a raiz de grandes problemas destes dias: a desconfiança. Sobretudo desconfiança relativamente às palavras dos decisores – públicos, mas não apenas… De facto, o valor das palavras atingiu entre nós a “cotação mínima”. O governante anuncia o aumento do IDE, quem ouve sorri; o político, da maioria ou da oposição, faz uma promessa, o contribuinte fica indiferente; o gestor garante a saúde do seu grupo empresarial, o cidadão desconfia.

Enfim, as palavras perderam o seu valor, estão desacreditadas.

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O espaço da economia social

Raramente o jargão “economia ao serviço das pessoas” teve tanta acuidade como agora. Atingindo a sua plenitude através da economia social, o conceito torna-se, de facto, crucial nestes dias.

Em vigor desde Junho de 2013, a Lei de Bases consagrou à economia social (que engloba, nomeadamente, cooperativas e mutualidades) a mesma dignidade dos sectores público e privado.

Não obstante existir ainda muito a fazer no plano institucional, particularmente no que se refere a acções de regulamentação, a Lei de 2013 constitui um precioso incentivo para as cerca de 60.000 organizações da economia social que em Portugal dão lugar a 230.000 postos de trabalho, representando já mais de 5,5% do emprego nacional. E continua a crescer, ganhando cada vez mais espaço.

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No mesmo barco

A situação económica e financeira da Europa tende a desanuviar, não obstante as más notícias dos últimos dias provenientes de Paris. As ondas alterosas vão, lentamente, dando lugar a um mar mais chão e no horizonte surgem raios de esperança.

É verdade que as assimetrias entre o Norte, o Centro e o Sul persistem, os interesses dos países sobrepõem-se à decantada solidariedade, as palavras dos políticos/decisores nem sempre (ou raramente…) coincidem com a realidade.

Mas, insiste-se, é forçoso reconhecer as melhorias registadas na União Europeia, traduzidas em dados como o fim da recessão em países em maiores dificuldades (incluindo Portugal), na redução dos níveis de desemprego, no aumento das exportações, etc.

São, obviamente, boas notícias para Portugal, sabendo-se, como se sabe, que – independentemente dos problemas portugueses, das nossas questões específicas, dos “trabalhos de casa” que só nós podemos realizar – o futuro do nosso país é inseparável da situação europeia. Na verdade, estamos no mesmo barco. E, pensamos nós, ainda bem…

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O Economista 2013

Raramente se assistiu, como agora, a tão intensa retórica sobre os caminhos seguidos, e a seguir, no sentido da recuperação económica e financeira do País.

A radicalização é notória: enquanto o Governo invoca um “milagre económico” em curso, a oposição alega que o actual rumo conduz à tragédia.

Não se vislumbram, neste momento, consensos em relação a medidas cruciais que urge tomar – em vez de pontes erguem-se paredes.

E, no entanto, há um programa de ajustamento que é preciso prosseguir, há um “nó górdio” chamado “crescimento/austeridade” que urge desatar, há, enfim, as decantadas “reformas estruturais” que têm de ser feitas. Por isso, parece inevitável que um agravamento da situação forçará a entendimentos que, por ora, se afiguram improváveis.

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Por uma cultura de empreendedorismo e inovação

Repetida até à exaustão, a palavra “empreendedorismo” corre o risco de ser banalizada. E, no entanto, nunca como agora o empreendedorismo tem tanta acuidade – particularmente em países como Portugal, onde, por um lado, é fundamental gizar estratégias económicas e de desenvolvimento sustentadas e, por outro, é preciso combater o desemprego no imediato (uma emergência que, diz-se, nem sempre se compadece com os indispensáveis planos de médio/longo prazos). Aqui está um dos pontos relevantes, sabendo-se que a simples criação de um emprego independente não corresponde exactamente ao conceito de empreendedorismo qualificado. Este exige uma aprendizagem desde os primeiros anos de ensino, com grande envolvimento das universidades e das empresas, tendo por base a criatividade, a inovação e todos os pressupostos visando o sucesso de uma unidade empresarial.

Apenas 7,7% dos portugueses em idade adulta são empreendedores qualificados. Este “défice” prende-se com uma cultura que ainda não incentiva devidamente o empreendedorismo, não encoraja o risco como devia, não promove abertamente o sucesso individual. Isto, embora tenha de reconhecer-se o avanço que se vem registando nos últimos tempos – mas demasiado tímido.

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Ambiente e desenvolvimento

Preservação do ambiente versus desenvolvimento é equação complexa, que a perenidade do Planeta obriga a resolver.

Nas últimas décadas, o mundo acordou para a gravidade dos problemas ambientais, com a ONU, através dos seus organismos especializados, a liderar a luta pela alteração de comportamentos – dos governos, das instituições, dos cidadãos. Comportamentos que, a persistirem, colocariam em risco os equilíbrios planetários.

Deve dizer-se que os esforços da Organização das Nações Unidas nem sempre tiveram sucesso. De qualquer modo, são positivos os resultados das “Conferências” de Toronto, de Estocolmo, do Rio de Janeiro, sem esquecer o emblemático “Protocolo de Quioto”, cujo êxito foi ensombrado pelo egoísmo de alguns países, nomeadamente dos EUA.

O trabalho vem prosseguindo, a nível internacional, visando diminuir os desequilíbrios/injustiças, ilustrados no facto de 2/3 das emissões de CO2 serem da responsabilidade dos países industrializados – mas a disparidade na utilização dos recursos energéticos é ainda maior se for adoptada uma análise per capita.

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Lugar à ética

A ética nos negócios e a responsabilidade social das empresas – uma “interligação” nem sempre harmónica… – constituem, nestes dias, um tema decisivo.

Nesta edição, autores de diferentes “escolas” analisam, em perspectivas teórica e prática: o papel da ética e a sua relação com a economia; a responsabilidade das empresas e a cidadania empresarial; a coerência e a economia do bem comum; o altruísmo e o dever.

Académicos, dirigentes associativos, gestores e outros especialistas reflectem sobre um assunto crucial, explicam a evolução de conceitos, põem em causa sistemas até há pouco intocáveis.

Como adiante escreve uma autora, poderá estar prestes a acabar a era do capitalismo e novos modelos poderão surgir, devido a evidentes pressões sociais, culturais, económicas e ambientais, que exigem, dia após dia, um mundo mais sustentável. E interroga: “Será o recente mediatismo em volta da responsabilidade social das empresas um prenúncio dessa mudança?”.

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