O Economista 2014

O equilíbrio que a sociedade portuguesa vem perseguindo está em risco neste final de 2014. E o ano nem correu mal até ao mês de Julho. Com efeito, o primeiro semestre de 2014 foi tranquilo, marcado pelo fim do “Programa de Ajustamento”, com a partida, em Maio, dos representantes dos credores – embora o regresso da troika em Outubro (na altura da apresentação do OE-2015…), para a “monitorização pós-programa”, tenha refreado a euforia de desatentos analistas.

De qualquer modo, algumas variáveis macroeconómicas evidenciavam um desempenho encorajador, a taxa de desemprego descia significativamente, as exportações aguentavam-se apesar de tudo.

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A (in)sustentabilidade da segurança social

A sobrevivência do Estado Social – cuja importância no actual contexto de crise ocioso se torna realçar – constitui a grande questão nacional.

Não custa prever os efeitos explosivos de uma ruptura da segurança social pública – a nível das pensões, do subsídio de desemprego e de outras prestações.

É consensual que se não surgirem medidas corajosas – centradas nas políticas fiscal e de emprego – conducentes a um crescimento consistente, a situação da segurança social pública torna-se insustentável a curto prazo – acreditem ou não aqueles que pensam que as transferências do Orçamento do Estado não têm limites…

A realidade é de facto inquietante – sobretudo por causa do desequilíbrio demográfico e dos níveis de desemprego. E, também, devido à (in)acção dos dirigentes políticos. Não obstante, há soluções, conforme se explica, fundamentadamente, ao longo desta edição.

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Palavras gastas

Segundo um estudo referido nesta edição pelo investigador Carlos Jalali, os índices de satisfação dos portugueses com a democracia no nosso país são “os mais baixos desde que há registo em dados do Eurobarómetro”. Não admira que, no contexto da UE28, “Portugal surja agora como o terceiro país onde menos se confia no Governo”.

Eis a raiz de grandes problemas destes dias: a desconfiança. Sobretudo desconfiança relativamente às palavras dos decisores – públicos, mas não apenas… De facto, o valor das palavras atingiu entre nós a “cotação mínima”. O governante anuncia o aumento do IDE, quem ouve sorri; o político, da maioria ou da oposição, faz uma promessa, o contribuinte fica indiferente; o gestor garante a saúde do seu grupo empresarial, o cidadão desconfia.

Enfim, as palavras perderam o seu valor, estão desacreditadas.

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O espaço da economia social

Raramente o jargão “economia ao serviço das pessoas” teve tanta acuidade como agora. Atingindo a sua plenitude através da economia social, o conceito torna-se, de facto, crucial nestes dias.

Em vigor desde Junho de 2013, a Lei de Bases consagrou à economia social (que engloba, nomeadamente, cooperativas e mutualidades) a mesma dignidade dos sectores público e privado.

Não obstante existir ainda muito a fazer no plano institucional, particularmente no que se refere a acções de regulamentação, a Lei de 2013 constitui um precioso incentivo para as cerca de 60.000 organizações da economia social que em Portugal dão lugar a 230.000 postos de trabalho, representando já mais de 5,5% do emprego nacional. E continua a crescer, ganhando cada vez mais espaço.

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No mesmo barco

A situação económica e financeira da Europa tende a desanuviar, não obstante as más notícias dos últimos dias provenientes de Paris. As ondas alterosas vão, lentamente, dando lugar a um mar mais chão e no horizonte surgem raios de esperança.

É verdade que as assimetrias entre o Norte, o Centro e o Sul persistem, os interesses dos países sobrepõem-se à decantada solidariedade, as palavras dos políticos/decisores nem sempre (ou raramente…) coincidem com a realidade.

Mas, insiste-se, é forçoso reconhecer as melhorias registadas na União Europeia, traduzidas em dados como o fim da recessão em países em maiores dificuldades (incluindo Portugal), na redução dos níveis de desemprego, no aumento das exportações, etc.

São, obviamente, boas notícias para Portugal, sabendo-se, como se sabe, que – independentemente dos problemas portugueses, das nossas questões específicas, dos “trabalhos de casa” que só nós podemos realizar – o futuro do nosso país é inseparável da situação europeia. Na verdade, estamos no mesmo barco. E, pensamos nós, ainda bem…

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O Economista 2013

Raramente se assistiu, como agora, a tão intensa retórica sobre os caminhos seguidos, e a seguir, no sentido da recuperação económica e financeira do País.

A radicalização é notória: enquanto o Governo invoca um “milagre económico” em curso, a oposição alega que o actual rumo conduz à tragédia.

Não se vislumbram, neste momento, consensos em relação a medidas cruciais que urge tomar – em vez de pontes erguem-se paredes.

E, no entanto, há um programa de ajustamento que é preciso prosseguir, há um “nó górdio” chamado “crescimento/austeridade” que urge desatar, há, enfim, as decantadas “reformas estruturais” que têm de ser feitas. Por isso, parece inevitável que um agravamento da situação forçará a entendimentos que, por ora, se afiguram improváveis.

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Por uma cultura de empreendedorismo e inovação

Repetida até à exaustão, a palavra “empreendedorismo” corre o risco de ser banalizada. E, no entanto, nunca como agora o empreendedorismo tem tanta acuidade – particularmente em países como Portugal, onde, por um lado, é fundamental gizar estratégias económicas e de desenvolvimento sustentadas e, por outro, é preciso combater o desemprego no imediato (uma emergência que, diz-se, nem sempre se compadece com os indispensáveis planos de médio/longo prazos). Aqui está um dos pontos relevantes, sabendo-se que a simples criação de um emprego independente não corresponde exactamente ao conceito de empreendedorismo qualificado. Este exige uma aprendizagem desde os primeiros anos de ensino, com grande envolvimento das universidades e das empresas, tendo por base a criatividade, a inovação e todos os pressupostos visando o sucesso de uma unidade empresarial.

Apenas 7,7% dos portugueses em idade adulta são empreendedores qualificados. Este “défice” prende-se com uma cultura que ainda não incentiva devidamente o empreendedorismo, não encoraja o risco como devia, não promove abertamente o sucesso individual. Isto, embora tenha de reconhecer-se o avanço que se vem registando nos últimos tempos – mas demasiado tímido.

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