O Economista 2013

Raramente se assistiu, como agora, a tão intensa retórica sobre os caminhos seguidos, e a seguir, no sentido da recuperação económica e financeira do País.

A radicalização é notória: enquanto o Governo invoca um “milagre económico” em curso, a oposição alega que o actual rumo conduz à tragédia.

Não se vislumbram, neste momento, consensos em relação a medidas cruciais que urge tomar – em vez de pontes erguem-se paredes.

E, no entanto, há um programa de ajustamento que é preciso prosseguir, há um “nó górdio” chamado “crescimento/austeridade” que urge desatar, há, enfim, as decantadas “reformas estruturais” que têm de ser feitas. Por isso, parece inevitável que um agravamento da situação forçará a entendimentos que, por ora, se afiguram improváveis.

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Por uma cultura de empreendedorismo e inovação

Repetida até à exaustão, a palavra “empreendedorismo” corre o risco de ser banalizada. E, no entanto, nunca como agora o empreendedorismo tem tanta acuidade – particularmente em países como Portugal, onde, por um lado, é fundamental gizar estratégias económicas e de desenvolvimento sustentadas e, por outro, é preciso combater o desemprego no imediato (uma emergência que, diz-se, nem sempre se compadece com os indispensáveis planos de médio/longo prazos). Aqui está um dos pontos relevantes, sabendo-se que a simples criação de um emprego independente não corresponde exactamente ao conceito de empreendedorismo qualificado. Este exige uma aprendizagem desde os primeiros anos de ensino, com grande envolvimento das universidades e das empresas, tendo por base a criatividade, a inovação e todos os pressupostos visando o sucesso de uma unidade empresarial.

Apenas 7,7% dos portugueses em idade adulta são empreendedores qualificados. Este “défice” prende-se com uma cultura que ainda não incentiva devidamente o empreendedorismo, não encoraja o risco como devia, não promove abertamente o sucesso individual. Isto, embora tenha de reconhecer-se o avanço que se vem registando nos últimos tempos – mas demasiado tímido.

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Ambiente e desenvolvimento

Preservação do ambiente versus desenvolvimento é equação complexa, que a perenidade do Planeta obriga a resolver.

Nas últimas décadas, o mundo acordou para a gravidade dos problemas ambientais, com a ONU, através dos seus organismos especializados, a liderar a luta pela alteração de comportamentos – dos governos, das instituições, dos cidadãos. Comportamentos que, a persistirem, colocariam em risco os equilíbrios planetários.

Deve dizer-se que os esforços da Organização das Nações Unidas nem sempre tiveram sucesso. De qualquer modo, são positivos os resultados das “Conferências” de Toronto, de Estocolmo, do Rio de Janeiro, sem esquecer o emblemático “Protocolo de Quioto”, cujo êxito foi ensombrado pelo egoísmo de alguns países, nomeadamente dos EUA.

O trabalho vem prosseguindo, a nível internacional, visando diminuir os desequilíbrios/injustiças, ilustrados no facto de 2/3 das emissões de CO2 serem da responsabilidade dos países industrializados – mas a disparidade na utilização dos recursos energéticos é ainda maior se for adoptada uma análise per capita.

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Lugar à ética

A ética nos negócios e a responsabilidade social das empresas – uma “interligação” nem sempre harmónica… – constituem, nestes dias, um tema decisivo.

Nesta edição, autores de diferentes “escolas” analisam, em perspectivas teórica e prática: o papel da ética e a sua relação com a economia; a responsabilidade das empresas e a cidadania empresarial; a coerência e a economia do bem comum; o altruísmo e o dever.

Académicos, dirigentes associativos, gestores e outros especialistas reflectem sobre um assunto crucial, explicam a evolução de conceitos, põem em causa sistemas até há pouco intocáveis.

Como adiante escreve uma autora, poderá estar prestes a acabar a era do capitalismo e novos modelos poderão surgir, devido a evidentes pressões sociais, culturais, económicas e ambientais, que exigem, dia após dia, um mundo mais sustentável. E interroga: “Será o recente mediatismo em volta da responsabilidade social das empresas um prenúncio dessa mudança?”.

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Regar a esperança

Há 25 anos, quando germinavam os Cadernos de Economia, assistia-se a uma alucinação bolsista (a Bolsa de Lisboa subiu 280% entre Janeiro e Outubro de 1987) que culminou no “crash” de 20 de Outubro. A euforia do mercado de capitais espelhava a embriaguez que se vivia e que atingia zonas impensáveis…

Trazemos aqui a memória daquele tempo porque ela ajuda a compreender algumas das causas da situação penosa em que o País se encontra.

Nessa época, em vez de aproveitar os fundos de Bruxelas para realizar as decantadas “reformas estruturais” (e como, nessa altura, já se falava das “reformas estruturais”!), Portugal optou por um polémico modelo de desenvolvimento a que não foi alheia uma excessiva “política do betão”, ao mesmo tempo que cedia educadamente às imposições de Bruxelas visando ajustar/destruir sectores produtivos (agricultura, pecuária, pescas…). Os financiamentos do fundo Social Europeu permitiam investimentos bizarros, conheciam-se “cursos de formação” desfasados das necessidades do tecido empresarial português. Projectam-se obras megalómanas, os “jeeps” da moda invadem campos e cidades. Incentiva-se o consumo, muitos temem que os dinheiros do FSE tenham o efeito das especiarias da Índia. Surgem os alertas, aqui mesmo nos Cadernos de Economia, mas era difícil contrariar o deslumbramento…

As décadas seguintes não apenas não solucionaram os problemas estruturais do País, como acrescentaram outros – quer pelo prosseguimento de algumas “grandes obras” (quem não se lembra dos sumptuosos estádios de futebol), quer através do descontrolo orçamental/endividamento.

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O Economista 2012

Quando, em Fevereiro de 2007, foi revelada ao mundo a crise norte-americana do “subprime”, o mundo estava longe de imaginar que a turbulência financeira nascente iria transformar-se, de forma galopante, numa grave crise económica e social, abrangendo a generalidade dos países do globo.

A rapidez do contágio logo destapou o manto que cobria um edifício que há muito ameaçava ruir – por força da insustentável “dívida soberana” de vários países europeus.

Cinco anos depois, a crise (financeira, económica e social), com epicentro na Europa, aí está – e para durar.

Não há consenso para a sua ultrapassagem. Mas numa coisa os especialistas mundiais estão de acordo: não há estratégias isoladas que consigam superar os problemas de um país – seja de um país da “periferia”, como Portugal, com as suas dificuldades acrescidas, seja da Europa, que só unida conseguirá recuperar algum do seu antigo poderio e enfrentar os blocos americano e, sobretudo, asiático. É que há uma nova ordem global a despontar, como é lembrado neste número…

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Um drama social

Quando mais de um quinto da população activa do País está desempregada, metade da qual sem acesso ao respectivo subsídio (e a metade que o recebe poderá vir a enfrentar cortes elevados), nada mais é preciso dizer para se ter a noção do flagelo social em que Portugal está mergulhado. E nem é necessário referir os 40% de jovens até aos 25 anos que não encontram um posto de trabalho.

Centrados, pois, na situação social do País, olhemos o “poder” da economia, da “economia que existe para as pessoas”. Assim, mais do que nunca faz sentido analisar as “políticas de emprego”, faz sentido considerar a equação “emprego (sem) crescimento”.

Enfim, é pacífico que a ciência económica (a par da acção dos políticos) poderá (terá de) dar respostas ao drama social que o desemprego constitui.

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